quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ricardo Augusto Felício e o Aquecimento Global

Não sou publicitário, mas entendo os conceitos de forma e conteúdo na hora de divulgar uma mensagem.

Ontem, o simpático doutor em geografia, mestre em meteorologia e professor da USP, Ricardo Augusto Felício, deu uma interessante, bem humorada e polêmica entrevista no Programa do Jô, basicamente alegando que o efeito estufa é uma mentira imposta por países do primeiro mundo para manter emergentes na coleira. 

Por mais que eu compartilhe parcialmente do ponto de vista do climatologista, achei a entrevista absurda e irresponsável. Uma coisa é ele divulgar a sua tese (aliás, muito bem fundamentada) em uma sala de aula, em um congresso ou em uma palestra para especialistas na área (ou aspirantes), outra bem diferente é propagar as mesmas idéias em um programa de TV, para milhões de leigos, em um momento tão delicado, com devastações ecológicas desenfreadas e um novo e polêmico código florestal recém aprovado na câmara dos deputados. 


Precisa ser PhD para saber que brasileiros são desinteressados em política, cidadania, segurança pública e preservação do meio ambiente? Mesmo que ele tenha aberto um parenteses ressaltando rapidamente que sua tese não justifica a destruição das florestas, é óbvio que o resultado de uma entrevista como a de ontem é o desinteresse de boa parte da população em futuras questões ambientais. Tão importante quanto a mensagem em si, é o modo como ela é divulgada e para quem ela será divulgada. A última coisa que meus relaxados compatriotas precisam ouvir é: "não precisa se preocupar, tá tudo legal...". 

Não faz 12 horas que a entrevista foi ao ar, e já temos centenas de compartilhamentos do link da entrevista no Facebook. Em 12 horas, essas pessoas não foram pesquisar sobre o assunto, elas simplesmente acataram uma tese divulgada na TV e passaram a ser os mais fiéis devotos das idéias do professor Ricardo Augusto, assim como há alguns anos, essas mesmas pessoas acreditaram cegamente em um outro cientista que apareceu na TV dizendo que o mundo estava esquentando.

O que eu quero dizer com tudo isso? Muitas coisas são ditas na TV, por especialistas ou não. Não acredite em tudo você vê ou ouve, pesquise antes de abraçar aquilo como se fosse uma verdade absoluta, e se você quer saber, duvide das pesquisas também. Até porque, se tratando de aquecimento global, existem milhares de teses. E é isso que elas são, apenas teses. Independente de qualquer coisa, faça sua parte, exerça cidadania e preserve o meio ambiente. 

A tese do professor Ricardo Augusto é interessantíssima, e já faz algum tempo que eu venho adotando algumas das suas idéias. Mas a irresponsabilidade dele ontem foi sem precedentes, digna de mentes geniais, e curiosamente ao mesmo tempo, estúpidas. 

Winter is Coming...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia de São Jorge

23 de abril é o dia do mais macho dos santos católicos, o guerreiro São Jorge (para se ter uma idéia, seu feito mais famoso foi ter matado um dragão). A lenda de São Jorge se mistura bastante com a lenda do guerreiro mitológico escandinavo Siegfried, também conhecido pela sua perícia em combate, determinação e por ser um exímio assassino de dragões. Sendo assim, como muitos dos elementos da mitologia cristã que foram incorporados de outras mitologias, é bem possível que o santo e o guerreiro viking sejam duas faces da mesma divindade.

Na lenda cristã, Jorge foi um capadócio que ainda cedo ingressou no exército romano e rapidamente ganhou notoriedade devido a sua força de vontade, disciplina, habilidade e bravura. Promovido à capitão, Jorge jamais abandonou os princípios cristãos de fraternidade, buscando sempre auxiliar os necessitados. Infelizmente, nessa mesma época o imperador Diocleciano reabilitou velhas tradições romanas e promoveu uma grande caçada de sangue aos cristãos. Jorge foi torturado em uma tentativa de fazer o guerreiro renegar a própria fé, o que obviamente não aconteceu. Os romanos percebendo que torturas físicas e psicológicas não surtiriam efeito no guerreiro, o assassinaram no dia 23 de abril de 303.

O famoso feito contra o dragão e o resgate da princesa (muito semelhante ao que Siegfried fez com Brunhilde) seria inserido na lenda durante a idade média. Cronologicamente, Jorge já havia sido nomeado capitão nas legiões romanas quando essa batalha aconteceu. 


São Jorge é o santo padroeiro da Catalunha, de Portugal e principalmente da Inglaterra, cuja identificação com o santo era tamanha, que a bandeira do país é a cruz vermelha de são Jorge com o fundo branco.  

Brados como "por São Jorge!" eram frequentemente gritados em campos de batalha ingleses, e como os ingleses nunca perderam a chance de sair na porrada com alguém, vocês podem imaginar como as bençãos do santo guerreiro foram invocadas no último milênio. O próprio discurso de Henrique V na épica batalha de Azincourt, imortalizado por Shakespeare, demonstra esse poderoso vínculo do povo inglês com o seu santo protetor:

 'Once more unto the breach, dear friends... for God, for Harry, for England and Saint George!'  

São Jorge representa acima de tudo, determinação e fidelidade, já que em vida, mesmo nas situações mais adversas e desesperançosas, ele permaneceu leal aos seus princípios. E morreu por eles.  

Por essa razão, o santo também é o padroeiro do time de futebol que possui a torcida mais "Fiel" de todas, o meu amado Sport Club Corinthians Paulista. E por esse motivo, eu resolvi prestar minha homenagem com esse post à São Jorge Guerreiro no dia de seu nome. Que em horas de desespero, ele nos abençoe com a mesma bravura e determinação que teve em vida.


"... Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge, para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, e nem em pensamento eles possam ter para me fazerem o mal, armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças quebrarão sem meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem"...
  

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bolinhos de Bebê

Um texto tão curto quanto cruel, cujo nobre objetivo é chocar e conscientizar, destacando o tratamento perverso que animais recebem em laboratórios.


"Alguns anos atrás, todos os animais foram embora. Acordamos uma manhã e eles simplesmente não estavam mais lá. Nem mesmo nos deixaram um bilhete ou disseram adeus. Nunca conseguimos saber ao certo para onde foram.

Sentimos sua falta.

Alguns de nós pensaram que o mundo tinha se acabado, mas não tinha.

Só que não havia mais animais. Não havia mais gatos ou coelhos, cachorros ou baleias, não havia peixes nos mares, nem pássaros nos céus. Estávamos sós.

Não sabíamos o que fazer.

Vagueamos por aí, perdidos por um tempo, e então alguém observou que, só porque não tínhamos mais animais, não havia motivo para mudar nossas vidas. Não havia razão para mudar nossa dieta ou parar de testar produtos que podem nos fazer mal.

Afinal de contas, ainda haviam os bebês. Bebês não falam. Mal podem se mexer. O bebê não é uma criatura racional, pensante.

Fizemos bebês.

E os usamos.

Alguns deles, comemos, Carne de bebê é tenra e suculenta. Esfolamos suas peles e nos enfeitamos com elas. Couro de bebê é macio e confortável.

Alguns deles, usamos em testes.

Mantínhamos seus olhos abertos com fitas adesivas e pingávamos detergentes e shampoos neles, uma gota de cada vez.

Nós os marcamos e os escaldamos. Nós os queimamos. Nós os prendemos com braçadeiras e plantamos eletrodos em seus cérebros. Enxertamos, congelamos e irradiamos.

Os bebês respiravam nossa fumaça e, na veia dos bebês, fluíam nossos remédios e drogas, até eles pararem de respirar ou até o sangue deles não correr mais.

Era duro, é claro, mas necessário.

Ninguém podia negar isso.

Com a partida dos animais, o que mais podíamos fazer?

Algumas pessoas reclamaram, claro. Mas elas sempre fazem isso.

E tudo voltou ao normal.

Só que... Ontem, todos os bebês se foram.

Não sabemos para onde. Nem mesmo os vimos partir.

Não sabemos o que vamos fazer sem eles.

Mas pensaremos em algo. Humanos são espertos. É o que nos faz superiores aos animais e aos bebês.

Vamos bolar alguma coisa".


- Retirado do livro "Fumaça e Espelhos - Contos e Ilusões" de Neil Gaiman


Winter is Coming...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Crônicas da Tormenta (Resenha)

Há muitos anos, na época da saudosa revista Tormenta, éramos presenteados bimestralmente com bons contos ambientados no mundo de Arton. E desde aquela época, existia uma vontade coletiva de que esses contos fossem reunidos em um livro. Com o tempo, infelizmente, a revista Tormenta parou de ser publicada, o que acabou reforçando ainda mais o desejo dos leitores em ver uma compilação trazendo essas tão queridas histórias.



Mais de uma década depois, Tormenta ganhou novos colaboradores, o cenário engordou com riquíssimos materiais e uma enxurrada de publicações que não se limitavam ao RPG (incluindo uma trilogia de romances e histórias em quadrinhos). E mesmo assim, a necessidade de resgatar aquele passado glorioso ainda era compartilhada pelos fãs.

Ano passado, finalmente foi publicado As Crônicas da Tormenta: Antologia de Contos, reunindo muitos nomes já consagrados na literatura fantástica nacional, bem como colaboradores de longas datas do cenário.

A obra, além de resgatar contos antigos, acaba sendo uma demonstração dos mais variados pontos de vista sobre a vida em Arton, do espirituoso pirata fanfarrão caçador de tesouros à elfa adolescente tentando se consagrar como barda.

Dentre os novos contos que se destacam, temos a fatalista História de Herói, de Leonel Caldela. Até aí nenhuma novidade. Estamos falando do escritor da Trilogia da Tormenta que também assinou a maioria das publicações do cenário lançadas desde 2007. Se tem um escritor que entende Arton e se sente em casa escrevendo sobre o mesmo, esse alguém é o Leonel.


Os dois melhores contos do livro ficam por conta dos escritores Raphael Draccon com Hedryl, uma épica e sanguinolenta história de vingança, e Leandro Radnak, com o fantástico suspense Lua das Trevas.

Ainda temos os competentes Ária Noturna, uma emocionante história de piratas escrita por Marlon Teske, O Perfil do Escorpião, um surpreendente conto ambientado no Deserto da Perdição, escrito por ninguém menos do que Rogério Saladino (um dos criadores do cenário) e o arrepiante Teopatia, uma incrível e caótica viagem na mente de um psicopata, escrita pelo genial (e um pouco assustador...) Remo Disconzi.

Ana Cristina Rodrigues assina Canção para Duas Vozes, Douglas MCT (escritor da saga Necrópolis) assina o suspense Revés, Cláudio Villa assina O Último Golpe de Javelin e ainda temos O Roxinol e os Espinhos, também escrito por Remo Disconzi.


Direto do túnel do tempo, mais precisamente das páginas da revista Tormenta, temos os consagrados contos Ressurreição, de Leonel Caldela, O Vingador de Aço, de Marcelo Cassaro, Arautos da Guerra (o melhor conto oficial já escrito sobre Arton) de Antônio Augusto Shaftiel e O Cerco, de JM Trevisan, que também é o organizador do livro.

De um modo geral, Crônicas da Tormenta é uma boa antologia e correspondeu as expectativas de quem há muito tempo aguardava reencontrar essas histórias. Uma leitura obrigatória para mestres e jogadores de Tormenta. 

Em relação aos materiais inéditos, é uma pena que o editor tenha se preocupado mais em reunir bons nomes do que  em reunir bons contos. O livro poderia ser ainda melhor.

Nota: ★★★☆☆

sábado, 4 de fevereiro de 2012

E a marmota viu a própria sombra...

Na última quinta (02/02), durante o Dia da Marmota, o impensável aconteceu. A marmota Phil, da cidade de Punxsutawney (Pensilvânia), olhou a sua sombra! Para os desavisados, isso significa que o inverno no hemisfério norte está longe de acabar, durando mais 6 semanas.


E tira esse sorriso bobo da cara! Não é só o povo lá de cima que tomou no nabo com essa notícia, esses tempos frios chegarão aqui também. Aproveitem enquanto ainda há calor, porque como diria Ned Stark, o inverno está chegando....

Whata?

O Dia da Marmota (2 de Fevereiro) é uma antiga tradição alemã, praticada nos USA e no Canadá desde o século 19 (na Europa, o evento envolve outros animais, como os ursos e texugos).

Milhares de pessoas se reúnem para testemunhar o momento em que a marmota acorda depois de longos meses de hibernação e sai da toca. Se estiver um dia ensolarado e ela olhar a própria sombra, o roedor se assusta e volta para a toca, o que significa que o inverno será rigoroso e prolongado. Caso a marmota não se assuste com a própria sombra, obviamente a primavera chegará mais cedo.


O Feitiço do Tempo

Um dos meus filmes preferidos de infância, O Feitiço do Tempo (Groundhog Day), é ambientado nesse simpático dia. Na história, Bill Murray é Phil (sim, o mesmo nome da marmota), um repórter frustrado que todos os anos cobre (contra a sua vontade) o Dia da Marmota.


Só que para o pesadelo do repórter, uma mágica o prende para sempre no dia 2 de fevereiro, fazendo com que o Phil acorde sempre nessa mesma data. O filme mostra as tentativas frustradas do repórter em desfazer o feitiço.


Winter is Coming...