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quinta-feira, 12 de maio de 2011

Valquírias - Espíritos da Guerra

Já faz um bom tempo que eu não escrevo alguma coisa sobre mitologia nórdica aqui, o que é uma heresia!

Aproveitando que o tema está na moda, graças ao filme do Thor (que vergonhosamente eu ainda não assisti), resolvi postar alguma coisa sobre o assunto aqui.

Mas eu não vou falar sobre o Thor (que nem é meu Aesir preferido) e nem sobre o Mjolnir, que é uma arma mais interessante do que seu portador. Vou falar sobre as Valquírias, as personagens mais legais desse fantástico universo mitológico.


Valquírias (ou Valkyrja, que significa "aquelas que escolhem os que vão morrer), são espíritos guerreiros, deusas menores, filhas e servas de Odin.

Além de atuarem como mensageiras de Odin e guardiãs do palácio Valhalla, essas poderosas e belas guerreiras eram responsáveis por guiar as almas dos mortais assassinados em batalha para Valhalla, onde seus espíritos (chamados de Einherjar) passariam eras desfrutando de banquetes, batalhas e sexo, despertando apenas para lutar ao lados dos deuses contra as forças da escuridão no Ragnarok, o crepúsculo dos deuses e apocalipse nórdico.


Assim como as Nornas eram as divindades guardiãs do destino, as Valquírias eram consideradas deusas da guerra pelos povos nórdicos, que faziam sacrifícios (geralmente de animais) em nome delas.


Aparentavam-se jovens mulheres, a maioria com cabelos loiros ou ruivos e olhos claros, de beleza sobrenatural. Algumas trajavam armaduras completas, enquanto outras se protegiam apenas com elmos e peitorais, e outras ainda dispensavam qualquer tipo de proteção. Praticamente todas usavam lanças e escudos e cavalgavam montarias aladas, no entanto, existem raros relatos de Valquírias portadoras de asas angelicais.


Os nórdicos também acreditavam que as auroras boreais eram reflexos das Valquírias cavalgando sobre o céu e diziam que em momentos de necessidade, as Valquírias abençoavam mortais com bravura e força de vontade, despertando o herói que existe dentro de cada um de nós.


Brunhild

A mais famosa de todas as Valquírias, sem dúvida foi Brunhild. Tudo começou quando ela desobedeceu Odin e salvou a vida do rei Sigmund (que era filho de Odin), o velho deus por alguma razão queria ver o próprio filho se estrepar, mas a Valquíria interveio e salvou o rei.


Odin então matou ele mesmo o rei Sigmund e castigou Brunhild, a deixando inconsciente e rodeada por um círculo de fogo. Mais tarde, por ironia do destino, Siegfried, um dos mais poderosos guerreiros da mitologia nórdica (e filho de Sigmund...) atravessou o círculo de fogo e despertou Brunhild com um beijo.

A história completa de Brunhild e Siegfried pode ser lida nos livros O Anel dos Nibelungos e A Saga dos Volsungs. Existe uma versão cinematográfica recente de O Anel dos Nibelungos, chamado A Maldição do Anel. Mas no filme Brunhild é uma princesa islandesa e não uma Valquíria.

Além de Brunhild, as outras Valquírias eram Sigrun ("runa da vitória"), Kara, Mist, Skogul ("batalha"), Prour ("força"), Herfjotur ("grilhão de guerra"), Raogrior ("paz do deus"), Gunnr ("lança da batalha"), Skuld ("aquela que se torna"), Sigrdrifa ("nevasca da vitória"), Svana, Hrist ("a agitadora"),Skeggjold ("usando um machado de guerra"), Hildr ("batalha"), Hlokk ("estrondo de guerra"), Goll ou Göll ("choro da batalha"), Randgrior ("escudo de paz"), Reginleif ("herança dos deuses"), Rota ("aquela que causa tumulto") e Gondul ou Göndul ("varinha encantada" ou "lobisomem").

Wyrd bi õ ful araed

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Wyrd bi õ ful araed

“... não controlamos nossa vida. As três fiandeiras tecem nossos fios. Wyrd bi õ ful araed, dizemos, e é verdade. O destino é inexorável. No entanto, se o destino decreta e as fiandeiras sabem qual será o decreto, por que fazemos juramentos? É uma pergunta que me assombrou durante toda a vida, e o mais perto que cheguei de uma resposta é que os juramentos são feitos por homens, ao passo que o destino é decretado pelos deuses, e que os juramentos são a tentativa dos homens de determinar o próprio destino. No entanto, não podemos decretar o que desejamos. Fazer um juramento é estabelecer um curso, mas se os ventos e as marés do destino forem fortes demais, o leme perde seu poder”.

- Lorde Uthred (Crônicas Saxõnicas – Volume V: Terra em Chamas)



Senhoras do Destino

De acordo com a mitologia escandinava (também conhecida como mitologia nórdica, viking ou germânica), há três velhas deusas tecendo o destino de todos os homens e mulheres. Elas são chamadas de Nornas, ou apenas como “as fiandeiras”.

As três teriam nascido na Urd, a fonte da vida aonde cresce a colossal árvore que sustenta o mundo, conhecida como Yggdrasill.

A função das três fiandeiras é através do seu poder divino, tecer os fios que traçam nossos destinos, controlando a sorte, o azar e o acaso na vida dos homens e dos deuses.

Por essa razão, muitos homens acreditavam que os frutos da Yggdrasill guardavam as respostas das grandes perguntas da humanidade. Não se sabe se esse era um efeito involuntário causado pela presença das Nornas ou apenas um capricho das três velhas deusas. Entretanto, conseguir esses frutos não era uma tarefa fácil, uma vez que eles eram protegidos pelas Valkyrias, guerreiras semi-deusas filhas do próprio Odin.

Era bastante comum durante os partos, as mães e as parteiras pedirem bênçãos das Nornas, já que eram elas que traçariam o destino da criança que estava nascendo.


As três Fiandeiras

Urd – com a aparência de uma idosa, Urd era a guardião do passado e dos mistérios antigos. Era uma deusa presa a sentimentos como saudade e rancor.

Verdandi – guardiã do presente, das escolhas e da continuidade. Apresentava-se na forma de uma mãe.

Skuld – apresentava-se com uma jovem virgem, era guardiã do futuro, das profecias e do destino.


A crença atual nas Nornas e no Destino

"E uma das Fiandeiras pegou o meu fio. Gosto de pensar que ela hesitou, mas talvez não tenha hesitado. Talvez tenha sorrido. Mas, quer tenha hesitado ou não, empurrou sua agulha de osso na trama mais escura".

Na Noruega, comemora-se no 29 de dezembro o dia das Nornas. A crença nas fiandeiras e em outros oráculos ainda existe pelo mundo, mesmo que hoje, muitas pessoas considerem o futuro mutável.

Acreditar que tudo que acontece na sua vida é obra dos deuses, do destino ou de uma força maior, é comodidade, do mesmo jeito que é arrogância (ou ingenuidade) acreditar que os homens são os únicos senhores do próprio destino.

Nossas escolhas são reflexos de quem nós somos, e são as suas conseqüências que irão ecoar pelo resto de nossas vidas. Mas não seja ávido em julgar que uma pessoa “teve aquilo que merecia”. Existem forças maiores atuando nesse mundo e elas nem sempre se importam com o nosso caráter, nossos planos, nossas necessidades ou com as escolhas que fizemos.


Wyrd bi õ ful araed

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Niflheim - A Terra dos Mortos

Já faz um bom tempo que eu não posto nada sobre mitologia nórdica aqui no Coala. O curioso é que quando eu criei esse blog, minha intenção era justamente falar sobre mitologia nórdica.

Há um ano eu postei aqui sobre o Valhalla, o salão de Odin que serve como paraíso dos bravos guerreiros que morrem em combate, aonde eles desfrutarão da companhia dos deuses, cerveja, lutas e mulheres por eras, até a chegada do Ragnarök (apocalipse dos vikings).

Hoje eu vou falar sobre Niflheim (em inglês: Mistland), o lugar para aonde todas as almas que não tiveram o privilégio de morrer gloriosamente em combate são encaminhadas.




A Terra da Névoa

Nifheim é o mundo mais profundo da mitologia nórdica. Um inferno escuro, extremamente gelado, com intensos nevoeiros, com almas errantes em eterna agonia e com várias estruturas macabras construídas a partir dos corpos daqueles que morreram e foram abandonados.

Todas as pessoas que morreram de velhice, doença, fome ou qualquer outra fatalidade que não envolva combate, terá a alma condenada a vagar eternamente em Niflheim.



Obviamente, é um lugar inacessível para os vivos, mas suspeita-se que alguns Aesires e Vanires (deuses nórdicos) conheçam caminhos secretos para a terra dos mortos.


Hel

Niflheim é governada por Hel, uma deusa metade bela e metade decomposta, filha do deus Loki com uma Gigante. Ela ganhou essa posição do próprio Odin, o senhor de todos os deuses. O poder da deusa dentro de Niflheim é absoluto. Ela decide como cada alma sofrerá, aonde essas almas ficarão, com quem ficarão e pode até mesmo devolver os mortos ao mundo dos vivos.



Ao contrário do que muitos acreditam, Hel é uma deusa severa, mas não é maligna. Poucos deuses compreendem o sentido da vida e da morte como ela.

Ela cumpre suas responsabilidades com como uma juíza implacável, aliviando o fardo das almas inocentes e sendo extremamente rigorosa com almas malignas.


Um lugar não tão ruim quanto parece ser...

A regra geral é que Valhalla é o paraíso escandinavo e Niflheim é o inferno. No entanto, alguns estudiosos não concordam com isso, de acordo com eles Valhalla é sim o paraíso dos guerreiros mas Nifheim está longe de ser algo parecido com o nosso inferno cristão. Aliás esse é um ponto importante, apesar da mitologia nórdica que conhecemos ter sido interpretada e reescrita por monges católicos na idade média, os vikings originalmente não acreditavam em conceitos de paraíso e inferno.

Para esses estudiosos, Niflheim é muito parecido com o purgatório. Um lugar escuro e gelado, sem a presença dos deuses, mas também sem a agonia e podridão presentes no inferno que conhecemos.



Wyrd bi õ ful araed

sábado, 15 de agosto de 2009

Valhalla


Dedico esse post ao Benedito Miranda, Patrício Alencar, e a muitos outros guerreiros que partiram nos últimos anos. Tenho certeza que todos eles estão olhando por nós dos salões de Odin.


Valhala, na mitologia nórdica, é o lugar onde os guerreiros vikings eram levados pelas Valquírias (guerreiras sagradas, filhas de Odin) após morrerem em batalha.

Trata-se de um castelo mágico aonde as almas desses guerreiros mortos (chamados Einherjar), recompensados com a imortalidade, passariam os seus dias treinando em combates, desfrutando de grandes banquetes e mulheres.

As Valquírias também eram encarregadas de proteger o palácio, que entre todos os castelos de Asgard, era o preferido de Odin.

Com a chegada do Ragnarok (Crepúsculo dos Deuses, o apocalipse nórdico ), esse exército de almas invenciveis despertaria e lutaria ao lado dos Aesires e Vanires (Deuses Nórdicos) contra as forças da escuridão, lideradas por Loki.

Lo, there I see my father.
Lo, there I see my mother, and my sisters and my brothers.
Lo, there do I see the line of my people, back to the beginning.
Lo, they do call upon me.
They bid me take my place among them in the halls of Valhalla,
Where the brave may live forever.

Olha, lá vejo meu pai.
Olha, lá vejo minha mãe, meus irmãos e irmãs.
Olha, lá vejo meus ancestrais desde o início.
Olha, lá eles clamam por mim,
pedem que assuma meu lugar entre eles nos salões do Valhalla,
onde os bravos vivem para sempre.

Oração Viking, vista no Filme O 13º Guerreiro (The 13th Warrior) do diretor John Mctiernan.



Nai eleni siluvar tielyanna